O coreano da business school é maluco por carros, ou simplesmente é maluco e pronto. O meu caro amigo não sabia, nem sabe conduzir, para conseguir a carta de condução teve que ir fazer o exame a uma terra no meio do deserto a caminho de Vegas.
Decido a comprar carro, não queria menos que um Mercedes, BWM ou Infiniti G35. As vozes sensatas dos seus amigos não o dissuadiram, nem o facto de ter raspado um Mercedes no test-drive, proesa que lhe custou 2000 dólares (o preço do meu carro). Há 2 dias mostrou-nos, triunfante, a sua aquisição, um BMW série 5 de 2001, que custou 15000 dólares angariados num empréstimo bancário.
Hoje, levou-me a almoçar a Korea-town na sua boneca. A meio do caminho parámos numa bomba para meter gasolina. Primeiro colocou o carro do lado errado, o que é normal visto ainda não saber onde se encontra o depósito. Portanto, deve que fazer uma manobra para meter o carro de marcha-a-trás, comigo já fora do mesmo a passear pela gasolineira. Quando dou por mim, está o coreano a aproximar-se de um pilar a uma velocidade demasiado elevada, só me saiu “olha aí caralho!!!”, estar com os vidros fechados a curtir o ar-condicionado e o sistema de som, não ajudaram. Descontraído, julgou que tinha sido apenas o espelho retrovisor a bater no pilar, achei que não devia ser eu a fazer o reparo da amolgadela junto à porta. Quando reparou na desgraça, já de barriga cheia “estes cabrões!! Batem-me no carro!! Olha para isto!! Agora como sei quem foi??”. Num estilo socrático tentei conduzi-lo à verdade “como o carro está estacionado parece-me díficil, talvez na bomba…”.
“Oh o meu coração está partido!!”, ainda tentei animá-lo dizendo que era só um carro e a amolgadela não interessa a ninguém. Enfim, acho que para ele é algo mais…
Cerebral
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