A cidade está construida para o jogo. Na America normal a comida e bebida são caras, em Vegas a comida é barata e a bebida à borla para quem joga, servidas por simpáticas empregadas em mini-saia e altos decotes, um dos meus companheiros de mesa até gritou “ei gina! Take that top off!”. Nos casinos não há luz natural, para a malta perder a noção do tempo e juntamente com os copos estoirar meses de trabalho.
O vosso amigo só perdeu dinheiro, mentes invejosas dizem “sorte ao jogo, azar ao amor”, esquecem-se que a relação não funciona em sentido inverso, mas isso são outras contas… Comecei com a roleta, o jogo cheio de misticismo. Em cima de cada roleta está um pequeno placard electrónico com os últimos 20 números, para os cromos poderem fazer todo o tipo de especulações “nas próximas 7 jogadas um deste números vai sair” depois dizem metade dos números possiveis, “ves!! Não te disse?!”. O meu espírito cientifico teimava que todos os números tinham igual probabilidade de sair portanto não valia a pena olhar para o placard. Resultado, não ganhei o respeito dos companheiros e perdi num instante. Resumindo, fiquei desiludido com a roleta, é muito rápido, nem deu para uma bebida, e como jogamos sentados não há a emoção de ver a roleta girar e a bola cair numa casa.
Aprendi a jogar blackjack, e isso sim, é divertido!! Perdi apenas 10 dólares mas deu para jogar durante duas horas e várias Heinekens. Durante a tarde aprendemos a jogar com o alemão, às 4.30 da manhã quando voltámos da noite, fomos para o casino do nosso hotel por os conhecimentos em prática. O casino do nosso hotel tem aquele ar soturno com muita madeira. Estavam mais dois americanos a jogar, um preto e um latino. Como no blackjack os jogadores não competem entre si, o objectivo é ganhar ao dealer, rapidamente começaram a dar-nos dicas. Verdadeira pandega!! Quando a malta toda ganhava, gritávamos, abraçávamo-nos. O auge foi numa jogada em que o latino tinha mais de 100 dólares em jogo, e pediu-me para eu dobrar a minha aposta (assim só podia pedir mais uma carta), não percebi porque ele queria tal coisa, mas disse “claro que sim! Não é por 5 dólares!”.
Como dealer não joga com o dinheiro dele e todas as jogadas estão determinadas pelas regras, também nos começou a ajudar, “ouçam-me que já ando nisto há 30 anos”, se não faziamos o que ele dizia “é bem feito! Vais aprender da maneira mais dificil, com o teu dinheiro!”. Outra engraçada, quando os jogadores tem boa mão, mas o dealer tem uma fenomenal, pede desculpa à malta, como quem diz “eu quero dar-vos dinheiro, mas não posso fazer nada contra as cartas”. A noite acabou às 6.30 da manhã com o latino a contar-nos que tinha ganho 700 dólares e que ia meter os miúdos na casa de banho para mandar uma na mulher, e o teso do dealer responde com um sorriso nostálgico “been there, done that”.
Escreverei mais sobre Las Vegas, mas agora estou com sono.
Cerebral

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