Eu tenho um conceito simples da amizade. Como diria Miguel Esteves Cardoso (e já há muito que não referia o jovem) amigo é aquele que tu podes chegar ao pé e dizer. “Matei a Madre Teresa de Calcutá ajudas-me a esconder?”, ele vai à procura de um esconderijo. Sabendo que hoje em dia se torna difícil matar a Madre Teresa a ideia subjacente revela duas atitudes que me fazem muita confusão na amizade:
A. A amizade utilitária
B. A amizade moralista
Por amizade utilitária entendo aquelas pessoas que pesam o que acrescenta alguém na vida deles. Tipo: mas o que é que essa pessoa traz-me? Para além de ser uma atitude egoísta é a negação da própria amizade. No caso acima descrito poria em causa se estar a ajudar alguém que matou a Madre Teresa lhe faria algum bem.
A amizade moralista é aquele amigo que é teu amigo desde que te portes bem. É tipo como o padre da freguesia mas em amigo. Caso erres ou faças algo que não devas já foste. É um pouco como a tolerância zero na amizade. Além de arrogante (porque se pressupõe que o outro ao errar não merece ser nosso amigo) é também como estares sempre com um juiz ao lado sempre a provar que mereces ser amigo dele. No caso que supra referi, obviamente romperia a sua amizade uma vez que matar a Madre Teresa de Calcutá é errado e indigno da sua amizade.
E vejo tanto essa atitudes (às vezes em mim próprio) e tenho tanta pena que assim seja. A amizade como a vida é tão bonita e tão estupidamente simples.
Sermão de Il Fenómeno do livro terceiro dos apóstolos tesos.
Palavra do senhor…Ámen.

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