Devolvam-me o meu camisola 10. Este podia ser o meu slogan futebolístico. O meu jogador preferido em qualquer equipa era o famoso 10. Aquele jogador de meias em baixo, camisola por fora, que não defendia, que não tinha posição fixa e que era capaz de decidir o jogo numa jogada. Que era capaz de trazer algum perfume ao futebol mecanizado e previsível de todos os outros. Daí a minha admiração por jogadores muitas vezes mal-amados como Zahovic, Rui Costa ou Neca (no caso do Belenenses).
Quando era mais novo o meu sonho não era ser goleador como a maioria, ou defesa-central como os italianos. O meu sonho era ser camisola 10, jogador vagabundo desobediente a todos os cânones, baluarte de uma sociedade sem leis, profeta da anarquia libertária.
Percebem agora a minha dor quando vejo este jogador em vias de extinção. Que se prefere o médio completo, máquina trituradora e constante, jogadores como Lampard, Gerrard, Vieira ou Maniche. Não coloco sequer em causa a qualidade superior destes jogadores, a maior utilidade destes para uma equipa vencedora mas o meu lado romântico não pode deixar de dizer: “Devolvam o meu camisola 10!”
Il Fenomeno

Sem comentários:
Enviar um comentário