- “Então és de que clube?”
- “Do Belenenses.”
-“E dos grandes? Qual é o teu clube?”
- “…Do Belenenses…qual foi a parte que não ouviste?”
- “Do Belenenses? Mas eles nunca ganham nada….”
Este absurdo diálogo repete-se constantemente na minha vida. A quantidade de vezes que tenho que explicar que sou do Belenenses parece-me inacreditável. Se entendo perfeitamente a surpresa por eu ser do Belenenses, afinal de contas não somos muitos, os argumentos para supostamente gozarem comigo me parecem sem senso e mesmo reveladores dalguma falta de lógica ou inteligência. Explico: gozarem por eu ser de um clube que ganha pouco ou nada é entrar numa lógica preversa. Porque para nos mantermos fiéis a esta lógica utilitária dos clubes neste momento éramos todos do Porto ou do Real Madrid ou de um AC Milan. O que me leva a dizer que somos de um determinado clube por amor. E o amor não é um conceito nem comparável nem muitas menos quantificado. Ou seja, é menor ou menos válido o amor por alguém em detrimento de outra pessoa que seja até mais famosa, bonita ou pretendida? Então o meu regozijo pelo Belenenses se manter na I Liga não é menos válido ou menos importante do que ao contentamento de um tiffosi milanista pela conquista da Champion’s League. Porque o amor não se mede pela importância que o sentimento tem aos olhos dos outros mas sim o que significa para ti, e isso aplica-se ao Belenenses como a tudo o resto!
Il Fenomeno

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