O meu colega indiano pediu-me para iniciá-lo nas artes do surf, pedido ao qual orgulhosamente acedi. Lá fomos os dois a caminho de Santa Monica comigo a explicar o básico: como se posicionar na prancha, como remar, como apanhar a onda, como fazer o take-off. E ele entusiasmado absorvia estes brilhantes ensinamentos.
Primeira paragem, loja de surf e barbearia para alugar a prancha. O dono era um americano muito castiço!! Cabelinho à alemão anos 80, meio careca, óculos e camisa aberta havaiana. Começa a mandar piadas ao indiano e depois pergunta-me de onde sou, respondo orgulhasamente “de Portugal!” ao que ele replica “oh Portuguese!!” acompanhado de um gesto de simulação de masturbação. Fiquei intrigado “o BB ainda não aterrou em LA e os portugueses já tem essa fama?!”. Continua perguntando-me se falo espanhol, digo que não; fica preplexo “como é possivel, eles são vossos vizinhos?!?”. “Está bem percebo mas não falo”, não o consegui convencer continua a insistir “os tipos rodeam-vos por todo o lado, são maiores, não entendo!?!”, eu explicava-lhe que somos um país diferente, “eh different” com nova punheta. Às tantas disse, “pronto! É uma questão de orgulho nacional!!” aí grito de alegria “yeah man!! National pride!!” juntamente estende-me a mão para aquele murro americano. “I knew there was something! That’s the way!! National pride!!”. Ganhei-lhe o respeito!
Chegados à praia, as ondas estavam pequenas mas bem ordenadas. E aqui tive a noção que ganhei os mesmos tiques, que destestava, do homem que me iniciou nestas lides do mar. À beira de água digo rapidamente, “isso é só remar em frente, não te preocupes” e faço-me ao mar sem olhar para trás. Resultado o indiano não conseguiu passar a rebentação, acho que o principal problema foi ele ter-me visto fazer bico de pato e tentar fazer o mesmo com uma long board.
Devo dizer-vos que no entanto eu apanhei muito boas ondas!! Fiz uma direita!! Apanhei a onda lá bem a trás, subi e desci-la várias vezes e o mais fixe é ver o pessoal tentar apanhar a onda, mas ao verem-me lançado afastam-se. Senti-me um rei!! Ao voltar à areia, ouvi das boas, “meu cabrão!! Ensinas-me a apanhar ondas, por em pé!! Mas como chegar lá nada!! Não me ensinaste a sobreviver dentro de água!!” Pedi-lhe desculpa, achava que o mar estava pequeno, passar a rebentação não seria um problema.
Cerebral
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