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quinta-feira, janeiro 26, 2006

Nova room mate

Andava na pressa da manhã, quarto casa-de-banho, casa-de-banho cozinha, cozinha quarto, e outras possiveis combinações, e o meu room mate olhava para mim à porta do seu quarto. Às tantas penso “espera lá, se calhar ele quer dizer-te alguma coisa” e não é que queria. “Vou-me mudar para baixo”, não percebi, ele aos solavancos lá me explicou que ia para o andar de baixo. Mais confuso fiquei, por fim lá me conseguiu esclarecer que tinha acabado o mestrado, ia voltar para o seu país no final do mes, até lá ia para o andar de baixo porque vinha uma pessoa nova para o seu quarto. Pareceu-me ter ouvido um “she”, dada a qualidade do seu ingles decidi ignorar tal informação.

Ao regressar de Vegas tinha uma room mate nova, de facto era uma “she”, uma alemã que está num projecto de 3 meses na usc. Para os mais crédulos, que ao lerem estas primeiras linhas “é desta!”, engaram-se, como na maioria das vezes. A alemã mais parece um homem, veste-se como tal, tem o cabelo como tal, enfim, deve ser lésbica.

Contudo estou extremamente contente com a troca, em 2 dias falei mais com ela do que em 4 meses com o taiwanese. Depois há todas as regalias de viver com uma mulher, sem ter que a aturar, para os menos entendidos aqui ficam alguns pontos. A casa-de-banho está sempre impecável, o lava-loiças idem aspas; se faço uma sandes e “por acaso” deixo a faca suja no lava-loiças no dia seguinte, “por acaso” está limpa, o mesmo se passa com a taça dos cereais. Ainda não tive coragem de me “esquecer” da loiça do jantar.

Por falar em jantar, pela primeira vez presenciei a admiração por um homem a cozinhar. Estava eu todo contente a atirar merdas para a frigideira, de repente olho para trás e vejo uma alemã com um ar entrenecido “ah cheira tão bem!”, pensei “se calhar devo-lhe oferecer um bocado, mas também não está nada de especial, deixa-a pensar que isto é melhor que na realidade, além disso ainda não está pronto, depois logo se ve”, basicamente adiei a decisão. Depois fui para o quarto ver o “trio d’ataque” quando dei por mim já não havia nada.

Mas estes não são os únicos dilemas, ela está farta de me falar em praia, como gosta de praia, como gostava de ir mais vezes à praia em LA. Enquanto pondero se a convido numa das minhas surfadas, certifico-me que ela não anda nos corredores antes de sair com a prancha debaixo do braço.

Cerebral

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