É impressionante simplesmente a cultura de surf aqui em LA, estou alegremente surpreendido.
Primeiro, ve-se várias pessoas mais velhas, na casa dos 40/50 dentro de água com as suas long boards, alguns mesmo com short boards. O equivalente ao executivo portugues que vai ao ginásio ou joga um tenis. Depois pais e filhos que vão juntos apanhar umas ondas, aqui não encontro equivalente lusitano.
O que mais admiro é a simpatia das pessoas dentro de água. Em Portugal é impossivel ir a uma praia e não ouvir o cromo que quando vai na onda vai a gritar para a malta que se tenta meter “oi, oi, oi, oi”. Aqui ainda não ouvi nada disso, por um lado o pessoal respeita as prioridades mais naturalmente e quando tal não acontece, em seguida pede imediatamente desculpa. Além disso metem muito mais conversa que em Portugal, talvez os meus gritos de contentamento quando faço uma onda de jeito ajudem.
Basicamente sinto que há muito mais respeito, as pessoas partilham a alegria de surfar, não há aquele ambiente em que os gajos mais cromos acham que só eles tem o direito a surfar.
Diria que tudo isto advém deste ser um dos locais do mundo onde se surfa há mais tempo, portanto é algo que está muito mais incutido, talvez como as nossas peladinhas nos parques ou nas praias.
No entanto nem tudo são rosas, descobri uma história de um local a sul de LA, de nome Palos Verdes, que dizem ter a melhor onda de LA. Há uns anos começou a crescer o localismo estúpido naquela zona, trocando por miúdos (que raio de expressão) os locais achavam que tinham a exclusividade de surfar aquela onda portanto agrediam todo o pessoal de fora. Foi de tal modo que até equipas de reportagem que se deslocaram foram também agredidas. Consta que como consequencia de tal história foi reforçado o policiamento da zona e agora está tudo calmo. Mas o mito mantem-se.
Deixem-me terminar com um “uma andorinha não faz a primavera”.Cerebral

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