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terça-feira, setembro 20, 2005

A versão emigrante

Não sei como escrever este post. Por um lado o acontecimento exige algo próximo da perfeição, coisa que não me sinto capaz, e por outro lado as emoções foram demasiado fortes para conseguirem ser relatadas. No entanto, o facto dos outros tesos já terem feito a sua parte permite-me fazer um “filling the gaps”.
Era verdade que um dos momentos altos seria a minha chegada, coitado do Vaselinas, estava numa pilha de nervos que nem soube muito bem o que dizer. Acho que estava com um cara “este gajo não devia estar aqui!!”. Julgo que todos compartilhámos a angústia do nosso mano. Tenho também que referir que ele estava estiloso com o seu fraque e colete, o Il Fenomeno ainda acrescentou que a gravata era muito bonita, mas disso já não percebo. Já que estamos a falar de gravatas, agradeço ao Il Fenomeno, um especialista, por me ter tirado o preço da gravata (em dólares) enquanto ainda estávamos no carro.
Não vou repetir o que foi dito sobre os aperitivos para isto não ficar demasiado aborrecido. Entrada do Vaselinas na sala de almoço/jantar foi em grande ao som de:“Then I saw her face, now I'm a believerNot a trace of doubt in my mind.I'm in love, I'm a believer!I couldn't leave her if I tried.” Com o seu movimento de bailarino gingão.
Trouxeram dois vinhos para a mesa, um mais convencional numa garrafa comum e a pomada. Pomada esta que vinha num jarro que parecia um balão de laboratório, também não era para menos. Como tesos que somos, nem foi preciso escolher, apenas um olhar e um acenar de cabeça. A dita era de tal ordem que até deixava uns pózinhos no fundo do copo. Quando a mãe do Vaselinas nos avisou para termos cuidado com a pomado, acho que já era tarde demais.
Aqui houve uma grande novidade da qual estou muito orgulhoso, o BB voltou a enfrascar-se. Deixem-me dizer, que o rapaz está com vontade, no entanto os anos parado reflectiram-se no refill de Licor Beirão, facto que não passou despercebido ao barman “o vosso amigo anda a faltar aos treinos”.
Quando chegou altura de fumarmos os charutos, mostrámos o nosso lado mais inexperiente. Primeiro pedimos o corta-charutos ao pai do Vaselinas (sem dúvida uma das figuras do evento, o Vaselinas tem a quem sair), que ele lá nos atirou com um ar desplicente. O Il Fenomeno não se entendeu com o dito aparelho, mas o BB devolveu-nos a honra ao manejá-lo que nem fumador habitual. Depois lá tive que pedir o isqueiro ao pai do Vaselinas, mas não estava a conseguir acender o charuto, o pai do Vaselinas começa logo a reclamar “isso não é para gastar o gás todo” eu ainda tentei retorquir “mas olhe que a chama está pequena” levei logo com um “isso para quem sabe”. Quando a meio o charuto se apagou e pedimos isqueiro a um dos convidados ainda ouvimos um “maçarico devias ter cortado a ponta”.
O baile foi aberto primeiro com uma música latina, só faltava ao Vaselinas a camisa preta com folhos. Apesar das calúnias lançadas por outros membros deste blog relativamente às minhas capacidades como bailarino, estive em grande, sem contar com o noivo fui o único teso a acompanhar as miúdas. É verdade que por um momento ou outro dei uma volta a mais e não me entendi muito bem com o tango, mas quando passei para as valsas fui altamente elogiado pelo pai do Vaselinas.
A certa altura era suposto vermos um filme, mas devido a problemas tecnológicos, estavam os convidados todos a olhar para uma tela ora em preto ora com o fundo do XP, quando o Vaselinas agarra no microfone e temos um dos momentos altos do dia. Mostra o seu lado entertainer com um discurso lamechas/cómico, foi realmente Vaselinas no seu melhor. Entretanto estava o pai do Vaselinas sentado entre os restantes tesos, e ao ter observado os problemas capilares de 3 membros desta comunidade, diz orgulhoso “sabem que sou o único dos meus irmãos com esta farta cabeleira, os outros são todos carecas”. Ainda tentei defender-nos dizendo que eram implantes, mas era escusado, a cabeleira e o bigode eram verdadeiramente fartos.
Já só entre tesos e amigas, o Vaselinas comenta, “sou realmente lamechas, fico comovido só de olhar para os cortinados”. Também olhou para o abundante buffet e confessou-me com um ar desgostoso “não comi quase nada do que está aqui”, pensei “deixa lá que no próximo mes fartaste dos restos”.
Outro momento muito engraçado foi o bolo da noiva no quintal. Mandaram todos os convidados para um local mais elevado no jardim e os noivos e pais ficaram em baixo. Enquanto esperávamos pelo bolo, os tesos e amigas, movidos a pomada e Licor Beirão desatam a cantar “sobe, sobe, balão sobe” e somos acompanhados pela mãe do Vaselinas e as suas divertidas amigas. A pandega era de tal ordem que quando o bolo aparece ou som de Vangelis a malta acompanha com um “la, lala” arrastado e monocórdico. Aqui o BB mostra o seu lado de tenor e canta que nem um grupo coral, a música é algo demasiado sério para ele.

Para terminar fica a parte sentimental. Fiquei várias vezes comovido, principalmente no discurso do noivo. Ver um mano casar e compartilhar a sua alegria com todos amigos e familiares. Tenho também que fazer referencia à familia do Vaselinas, quem tem uns pais daqueles só pode ser feliz, o pai um verdadeiro teso, sempre com uma boca para mandar, e a mãe uma querida. Quando me despedi do Vaselinas e ele emocionado disse-me “não sei o que te dizer” só lhe soube responder “não é preciso dizeres nada”.
Cerebral

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