O grande dia do casamento foi ontem.
A grande surpresa para o Vaselinas era a presença de Cerebral que tinha vindo em segredo ao seu casamento directamente de LA. Para tal inventámos um esquema para arranjarmos mais um lugar na mesa. Supostamente uma das pessoas tinha uma namorada. A qualidade de representação de Il Fenómeno fez o resto para convencer Vaselinas que foi apanhado de surpresa pela presença de mais um irmão.
Eram 11 horas e estávamos em Loures prontos para partir. A viagem foi uma aventura. Conhecemos a Malveira, Bucelas, perdemo-nos umas 40 vezes e tivemos que perguntar o caminho outras 30 (apesar de algumas delas terem sido porque uma das raparigas insistia em meter conversa com todos os homens que encontrava talvez motivada pela premonição do seu barbeiro gay que tinha previsto que algo de bom lhe aconteceria. Então ter mandado parar a camioneta conduzida por um motorista ucraniano foi o cúmulo deste desespero).
Uma hora depois chegámos. Ali estava Vaselinas de fraque. Parecia um senhor. Devo confessar que senti aquele orgulho paternal de ver o seu miúdo transformar-se num homem. Nervoso andava de um lado para o outro toldado pela emoção do momento.
Só meia hora depois quando o conservador chegou se deu inicio a cerimónia. O conservador era um misto de pop star, com anunciador da Feira Popular e padre. Primeiro obrigou as pessoas a saírem de trás dele porque o “incomodavam”. Acho que exigiu também uma banheira cheia de M&M’s e 150 toalhas brancas. Depois lia as coisas como o gajo dos carrinhos de choque da Feira Popular e depois antes de desejar felicidades fez um aviso importante num casamento: “cuidado com as crianças para que não lhes aconteça qualquer coisa e vão parar ao Centro de Saúde.” Importante nota para os presentes.
Quando saímos dali vimos linguiça, morcela, presunto e febras e pãozinho caseiro, nada daqueles Peit Patans e avecs. Era o casamento do Vaselinas allright. Comida muita e da boa.
E foi essa também a nota do repasto. Notámos como os empregados se colocavam em fila indiana para que Vaselinas aprovasse a comida e só depois pudesse ser servido aos convivas.
Passámos então aos brindes e na insistência para que uma das raparigas, curiosamente a mesma do condutor ucraniano, insistisse que fizéssemos chi-chi com os noivos. Prática estranha e desconhecida para todos mas que depois viemos a perceber que era brindar com eles. Nessa altura os tesos em homenagem ao Wendy’s começaram a dedicar-se ao refill não de Coca Cola mas de Licor Beirão o que na altura do bailarico foi particularmente útil nomeadamente para Cerebral mostrar os passos que o celebrizaram: “troca de pés seguido de tropeção” e “troca de pés seguido de pisão na rapariga”.
Ainda houve tempo para oferecermos a nossa prenda ao Vaselinas perante o olhar deslumbrado e agradecido da sua esposa e de vermos os dois cortar o bolo com fogo de artificio como pano de fundo fazendo inveja a qualquer filme de Hollywood.
Mais do que a descrição dos eventos queria apenas dizer que me emocionei no casório. Sentimento partilhado aliás por todos os tesos. O discurso do Vaselinas é mítico. Ver o seu olhar de felicidade, o sorriso na sua cara foi emocionante. Foi um pouco como se tivéssemos a viver essa mesma alegria. Acho que o sentimento de todos nós foi de orgulho, fizeste-te um homem e encontraste a pessoa certa.
“Vou-te contar,
Os olhos já não podem ver
Coisas que só o coração pode entender
fundamental é mesmo o amor,
é impossível ser feliz sozinho.”
Il Fenomeno

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