Depois de uma semana a aprender como ser um assistente numa universidade americana aqui ficam as principais notas.
No primeiro dia do curso mostraram-nos uma reportagem do "60 minutos"sobre as universidades americanas. O grande problema do sistema universitário americano, e penso que também português, é que os professores são apenas incentivados a publicar artigos, a parte pedagógica é completamente esquecida. A consequência desta politica é as universidades terem um corpo docente de topo, com o qual atraem os jovem para as suas licenciaturas, cujos pais pagam fortunas para os filhos serem ensinados por essas mentes brilhantes. Na realidade o que acontece é essas mentes brilhantes estarem apenas concentradas nos seus artigos e num pequeno grupo de alunos de doutoramento. Os alunos da licenciatura são ensinados por professores menos conceituados e por assistentes. E aqui nasce outro problema, a maioria dos assistentes são alunos de outras nacionalidades que muitas vezes têm dificuldade em comunicar com os alunos.
Como seria de esperar os pais processaram as universidades. Resultado final, os assistentes estrangeiros são obrigados a frequentar um curso e fazer um exame para poderem leccionar (posso dizer-vos que passei no exame, estou apto).
O curso em si tem partes interessantes e outras verdadeiramente secantes. A parte que mais odiei foi os psicólogos com um ar fraternal a explicarem que era normal sentirmo-nos perdidos, desorientados e até revoltados. Depois explicaram-nos como é o aluno americano, é um tipo que vai para a aula de pijama, a comer qualquer coisa e de vez em quando faz umas perguntas estúpidas às quais temos que responder com um ar paciente. Fiquei também a saber que nunca devo dizer a um aluno "you would better...", é extremamente ofensivo. Aprendi também que as alunas americanas são capazes de qualquer coisa por um A, por isso devemos ter a porta do nosso gabinete sempre aberta, jamais fechar a porta com uma aluna lá dentro.
Tudo isto foi ensinado por um gajo que tinha ar de panilas, que sempre que falava com um rapaz e na frase havia o termo namorada, acrescentava sempre ou namorado. Quando estávamos a comentar a nossa performance num dos exercícios, uma romena disse que eu tinha um ar muito simpático e disponível, ao que o panilas acrescentou "concordo plenamente, os alunos não vão sentir qualquer problema para te colocar questões". Depois um iraniano disse que o meu sotaque era bastante doce e atraente, confesso que fiquei um pouco constrangido, não fiquei muito porque já o conhecia e sabia que ele tinha namorada. Com isto o panilas do americano acrescenta com um ar de quem tinha aquilo para dizer há muito tempo mas nunca tinha surgido oportunidade, "na verdade há sotaques que os americanos gostam, acham atraentes e charmosos, esses sotaques são o português, o italiano e o francês, portanto nesse aspecto tens sorte".
Cerebral

Sem comentários:
Enviar um comentário