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segunda-feira, julho 04, 2005

CF Tesos Memória

A 3 de Janeiro no 2º Capítulo da novela escrevi:

"Mas acreditava profundamente no amor como força incompreensível e incontrolável. Ao longo da sua vida sofrera demasiado às suas mãos para o subestimar e o encarar como mito humano ou força de somenos importância.
Aprendera a respeitar e a temer o que o destino lhe reservava neste aspecto. Amara muito, poucas mulheres e pouco, muitas delas.
Quem, na sua vida profissional de analista financeiro primava por uma sagacidade e perspicácia bastante apuradas, tinha efectuado, no campo amoroso, os “investimentos” errados.

E isso incomodava-o particularmente. Não os conseguia encarar com a mesma desfaçatez com que fazia o resto das coisas na sua vida.
Escrevera um dia que na vida o falhanço está intimamente ligado ao tempo. Os falhanços decorrem da limitação própria do tempo, e que quando não estamos limitados o carvão acaba por se transformar em diamante, a areia em pérolas, os gorilas em homens.
O problema é que durante a existência, os gorilas não têm tempo para deixarem de ser gorilas e o carvão de se transformar em diamantes. Falhamos porque somos fugazes.
Contudo no amor é diferente. Porque no amor falhamos por falhar não pela limitação do tempo. Quando a pessoa que amamos não nos quer, nem que vivêssemos todo o tempo deixávamos de falhar. Nunca deixaremos de ser gorilas, carvão ou areia.
E o incómodo vinha daí, de lhe custar a entender como o amor foi tão injusto para ele que lhe foi só dedicação; como gastara o melhor de si a quem não merecia…"

Quando o passado se repete, será que o destino nos perseguiu ou será que fomos nós que o perseguimos cometendo exactamente os mesmos erros de antes? Será fruto do azar (essa variável tão indefinida e tão querida dos jogadores de futebol) ou de uma incompetência singular de não aprender com os erros feitos?

Não sei...

Il Fenomeno

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