Chegámos ao final da novela. Porque todas as histórias têm o fim. E a relação que aqui vos descrevi chegara ao fim. Como diria Vinicius:
E assim mais tarde quando me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão fim de quem ama
Eu possa dizer do amor que eu tive:
Que não seja imortal posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure
Tudo acaba, posto que é chama. E para ele era o dealbar da relação. Gostava da palavra dealbar. Preferia-a ao carácter pungente e determinístico de encerrar, acabar ou finalizar. Parecia-lhe mais natural, mais como um final de um ciclo…dealbar…
Jamais lhe chamaria princesa (nome que ela detestava se bem se recordam), jamais acordaria com ela enrolada nos seus braços, jamais sentiria a respiração dela tão perto que ouvia o seu coração bater, jamais sentiria os seus lábios…O centro do seu mundo mudaria.
E isso era estranho como as pessoas passam nas nossas vidas e ficam meras memórias distantes (alegres ou tristes) dos tempos que se passaram. Não compreendera o que falhara, mas será que alguma vez compreendemos? Refugiara-se na incomunicabilidade da língua portuguesa: “as coisas não deram certo”. Como se isso fosse explicação para alguma coisa. Mas a vida ensinara-lhe a desistir de tentar compreender o inexplicável e tentar perceber tudo mas antes a aceitar o destino como única verdade incontornável. Acabara, ou melhor, dealbara e isso era tudo o que interessava.
Acreditava que o tempo o ajudasse a compreender “as coisas que não deram certo”, que o que tinha acontecido era o certo, que não se iam arrepender mas o tempo é tão subjectivo e tem esta incapacidade invulgar de transformar os amanhãs em ontens. Mas era nisso que tinha que colocar a sua fé, no tempo…
Il Fenomeno

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