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quarta-feira, março 09, 2005

Cinema português

No fim-de-semana passado fui ao Fantasporto por duas razões: nunca tinha ido (não que seja partidário da tese “um homem tem que experimentar tudo”, mas estava realmente curioso) e como principal razão uma amiga minha tinha uma curta em exibição. É por causa disso que tenho alguns comentários relativamente ao cinema indígena, a minha amiga apesar de ser portuguesa estudou em Espanha e a sua curta foi exibida justamente com outras curtas portuguesas. Convém esclarecer que o Fantas já perdeu o espírito original e agora tem todo o tipo de filmes. Quanto às mulheres do Norte deixo para o Midas comentar, cada um com o seu ofício.
Não é por ela ser minha amiga, mas estava a anos-luz do resto das curtas. Ela filmou uma história normal, com pessoas que falam de um modo normal, em situações que qualquer um de nós se depara do dia-a-dia, com angústias e sentimentos com os quais nos identificamos. Acrescente-se a tudo isto que a curta tinha bastante ritmo, uma boa imagem, no fundo entretinha o espectador.
Quanto às “obras” nacionais, não sei como descrever tamanha merda. Os realizadores devem considerar-se tipos muito acima da população e fazem umas merdas alternativas, umas metáforas “muito à frente” porque isso de entreter o espectador é para a populaça pouco culta. Depois todos os actores falam de um modo demasiado pomposo e pesado, com um tom “eu sei o que é a dor de viver, tu estás a ser enganado por esta sociedade de consumo”. Tudo isto filmado com longos planos, deve ser a escola Oliveira, que deixam o comum dos mortais no desespero.
Como se tudo isto não fosse suficientemente mau, os comentários dos espectadores apoiam esta merda. “ Não percebes, é arte” pois não devo perceber. “O cinema não tem que entreter” ai não?! “Aquilo é o lado animal do Homem, é toda uma metáfora às relações modernas” sim porque deves-te rever naquela situação.
O meu ponto é simplesmente, os realizadores tugas não querem saber do espectador e fazem basicamente umas coisas sem muito nexo com o argumento que é o que lhes vai na alma. Além disso consideram os seus “filmes mais profundos” que esses de “entretenimento”. Para mim o outro género de filmes “os de entretenimento” são tão ou mais profundos e dão muito mais trabalho porque não basta escarrapachar uma série de sentimentos avulsos, têm uma história que os sustenta. É por isso que o cinema português prega por subsídios, ninguém (além dos amigos) está disposto a pagar para ver aquilo. Solução, pagamos todos os devaneios criativos de um bando de “intelectuais”.
Valeram as francesinhas…
Cerebral

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