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quarta-feira, janeiro 05, 2005

O Código Masculino

Muitas raparigas me dizem frequentemente: “chiça, que és uma bomba na cama. E já agora explicas-me o que é isso do código masculino?"

Ora, cá estou eu na minha função pedagógica a ensinar esta bíblia de comportamento maculino. De notar que este conhecimento me foi passado pelo meu irmão. Homem que andou numa escola só com rapazes, posteriormente frequentou o Técnico e é engenheiro civil em obra, trabalhando entre o conglomerado nacional de operários de sexo masculino. Este tipo de vivência permanente com homens transforma uma pessoa ou em homossexual ou em camionista burgesso. Graças a Deus o meu irmão é esta última categoria, considerando as mulheres “mulas para montar” e apelidando-me frequentemente de roto por possuir amigas mulheres.

Importa notar, antes de começar que o código se aplica entre amigos homens, não entre todos os homens. É somente aplicável entre aqueles que fazem parte da nossa “matilha”

O código em si define três tópicos de existência masculina:
a) Futebol
b) Mulheres
c) Diversos

Por efeitos de limitação de tempo vamos negligenciar os diversos, concentrando-nos nos dois primeiros.
No que se refere ao futebol não existe propriamente regras de comportamento. Desde que se saiba a selecção portuguesa de 1954 e a dupla de avançados do União de Lamas, todas as opiniões são defensáveis desde que não se comente o físico e o equipamento dos jogadores.

Em termos de mulheres, é com bastante mágoa que vejo as regras de conduta a serem transgredidas permanentemente.

A primeira regra define que as mulheres são propriedade. Embora altamente machista é a pura das verdades. Vamos supor, num cenário bastante ficcional para sustentar a minha teoria, que o Cerebral está a “bater couro” a uma rapariga, mesmo que eu a ache lindíssima e até tenha trocado uns olhares libidinosos com ela, a regra exige que eu saia de campo porque ela é propriedade do Cerebral. Não existe hipótese nenhuma de eu avançar sem ser com autorização expressa do Cerebral. Sem ele me vender a “sua propriedade”. É com pena que vejo amigos a sobreporem-se a outros no engate do gentil sexo numa luta desenfreada sem rei nem roque. Assim não meus amigos!
Torna-se também essencial notar que tento o abdicado como o abdicante têm obrigações. Se o amigo deve cair fora o outro tem obrigação de correr atrás, ou seja, fazendo uma analogia com o ciclismo, se um amigo abdica de uma fuga porque o outro tem possibilidade de vencer a etapa, este último tem de fazer tudo para ganhar a etapa e não pode abdicar da luta, mais que não seja por respeito ao sacrifício do amigo.

A segunda regra diz-nos que namorada/engate de amigo é top-model. Escusado será dizer o quanto me parte o coração quando vejo homens referirem-se às namoradas/engates dos amigos como “não muito giras”. Se o amigo engatou é porque é linda. Mais uma vez por suposição, digamos que o Midas engatou uma rapariga com laivos de camafo. Em termos oficiais para mim será sempre lindíssima. É a protecção da escolha do amigo.

Por fim, a terceira regra, que felizmente vejo a ser mais cumprida que as outras, refere-se à facilitação da foda. Amigo deve fazer tudo no campo do possível para possibilitar ao outro amigo “facturar”. A chamada assistência. Todos os homens têm que ter uma componente de camisola 10, fazendo jogar os companheiros e não só de ponta-de-lança goleador, egoísta e sem espírito de equipa.

Espero sinceramente que este código nunca se perca e seja sempre respeitado, senão todos nós corremos o risco de nos tornarmos….mulheres…

Il Fenomeno

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