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terça-feira, outubro 19, 2004

Lição de Futebol de Mr. Carlos Carvalhal

Como analisar jogadores…

Existem muitas formas de se analisar um jogador.
Vou direccionar a minha análise para o comportamento que o jogador deve ter sobre o ponto de vista táctico, ou melhor, sobre os quatro grandes pilares da organização de jogo:

• Comportamento ofensivo;
• Comportamento defensivo;
• Transição para posse da bola (o que o jogador fazquando a sua equipa ganha a posse da bola);
• Transição para perda da bola (comportamento imediatodo jogador para tentar ganhar a posse da bola).

Aqueles que são bons nestes quatro momentos (a juntar muitos outros predicados), são jogadores que podemos considerar completos – dominam os princípios ofensivos, defensivos, são rápidos a executar nas transições – existem muito poucos jogadores assim.

A maioria dos atletas domina bem duas fases do jogo. Os que sabem atacar muito bem, dominam igualmente bem a transição para ataque, mas são normalmente sofríveis nos outros dois momentos. Estes, normalmente, são os “queridos” dos adeptos. Habilidosos aos olhos das pessoas, por vezes pouco eficazes. No entanto, são importantíssimos numa equipa, desequilibram e o futebol deles resulta numa imprevisibilidade que não tem equação. Quando os colocamos ao serviço da equipa, passam de bons jogadores a excelentes jogadores – Deco…

Existem os que dominam razoavelmente os quatro momentos. São atletas que normalmente são regulares no seu desempenho. Nunca atingem um nível muito elevado, mas também raramente têm prestações sofríveis. São a maioria.

Depois existem os “mal amados”. São bons nas duas fases do jogo que ninguém valoriza, a defensiva e transição para defesa. São normalmente os operários, excelentes sobre o ponto de vista dos equilíbrios da equipa. São os primeiros a ser apupados quando as coisas não estão bem. No entanto, nunca se entregam, nunca viram a cara à luta. Enquanto outros procuram desequilibrar, estes pensam em equilibrar. Ninguém repara no seu papel de equilíbrio e compensação, a não ser os treinadores.O que seria dos artistas sem os operários?!!

Só que hoje, no futebol, os “artistas” tem que desempenhar o seu papel nos quatro momentos do jogo, procurando através de um bom jogo posicional recuperar a posse da bola e trabalhar muito a transição para defesa. Se assim não acontecer, essa equipa só ganha às vezes. E todos nós queremos ganhar sempre…

Os assobios aos “operários” fazem doer o coração aos treinadores. E por vezes as palmas aos “artistas” fazem-nos lembrar… palmadas! É que jogar à bola é diferente de jogar futebol. Ter que correr para defender e equilibrar, por vezes, tira discernimento para jogar.O jogo é feito de equilíbrios. É impossível ter 11 jogadores “completos”. Sendo assim, todos são necessários para equilibrar uma equipa: os “certinhos”, os “artistas” e os “operários”.

O treino serve fundamentalmente para operacionalizar e articular princípios e sub-princípios referentes ao Modelo de Jogo Adoptado de acordo com esses quatro momentos. E numa equipa, percebendo as diferenças, TODOS tem que contribuir para esses quatro momentos; TODOS têm um papel que devem desempenhar para que a equipa funcione. Nós (treinadores) ajudamos os jogadores a serem melhores naquilo que dominam e principalmente naquilo que não são muito bons.
Assim se procura fazer melhor jogadores; assim se fazem GRANDES equipas…

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