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quinta-feira, outubro 07, 2004

Comentário à minha defesa

Antes de mais devo referir que este episódio do meu ponto de vista tem sido fascinante. Pouco habituado a ver telenovelas, e quando as via era mais pela componente cénica das actrizes do que por outra coisa, esta trama de acusações, desmentidos, traições tem sido fantástico. Até sexo tem (embora sem a concretização).

Colocando-me na papel de realizador, vou contar um pouco a história como a vi (até para possíveis outsiders perceberem), num ambiente futebolistico como convém no nosso blog. Cá vai:

Numa bela noite de sábado, típica de pré-época, copos, etc, Cerebrilla (uma espécie de Pinilla dos cftesos) promete golos, dedicação, talento, promete abanar as redes, explodir de alegria. Estas promessas fazem mesmo que ele seja chamado de Cerebrigol, o novo ponta-de-lança dos cftesos.
Obviamente que estas promessas enchem de esperança os corações dos colegas dos cftesos, que vêm nele o matador que julgavam desaparecido.

Todos eles trabalham para Cerebrilla, colocando-lhe bolas na área para que a concretização do novo matador fosse facilitada.São cruzamentos contínuos.Desde jogadores brasileiros recrutados especialmente para com o seu jeito sambista proporcionarem opções de golo ao avançado, até ao típico médio português, raçudo e dedicado, pronto a abrir brechas para Cerebrilla entrar.

No entanto, como o seu congénere chileno, Cerebrilla é uma desilusão, falha golos de baliza aberta, rejeita opções válidas de balançar as redes.Prova não ser o rejuvenescimento (ou aparecimento) do matador.

A reacção dentro do balneário é contudo divergente. Il Fenomeno, ciente da verdadeira qualidade de Cerebrilla, não alimentou ilusões. O passado obscuro e mal-sucedido de Cerebrilla, contínuos falhanços nas equipas por onde passou, fizeram com que não se deixasse levar pelas promessas vãs de golos e de ser o novo matador. Tranquilo e de certa forma resignado aceita a contratação de Cerebrilla como mais um jogador regular que se arrasta pelos relvados portugueses e não o novo Henry dos tesos.

Midas e Big Boss contudo não se conformam. Midas, jogador sul-americano (o Simeone dos tesos) reage como sempre o fez dentro e fora dos campos. A sua reacção é a esperada. Não admite falhanços e quando estes acontecem são veemente relevados muitas vezes com linguagem, diremos menos prosaica.

Big Boss, todavia, é o mais inconformado. Diria mesmo magoado. Acreditara que Cerebrilla era o avançado, era o tal. Acreditara que era o matador que os cftesos sempre procuraram. Numa visão freudiana da situação, Cerebrilla era a projecção de Big Boss nos relvados. Uma espécie de jogador mais velho que vê no miúdo acabado de chegar o potencial que ele queria aproveitar e não conseguira. Assim sendo o falhanço, mais do que um falhanço de Cerebrilla, expectável para Il Fenomeno, inconcebível caralho, para Midas; é o falhanço dele próprio, da sua projecção. Não escondendo por isso a sua dor, a sua mágoa, a sua desilusão...

Neste processo todo Vaselinas, qual Mantorras, encontra-se fora a recuperar de lesões, sem aparecer sequer nas reuniões de balneário.

Resta aos cftesos aceitar que Cerebrilla não é mais que um avançado mediocre, condenado a falhar golos, notando porém que exceptuando periodos de certos jogadores, a concretização tem sido sempre um problema dos cftesos. Mais uma vez ressalva para excepção Vaselinas que se limita (não sendo por si uma limitação) a marcar golos continuamente na mesma baliza...~

Il Fenomeno "Storyteller"

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