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sexta-feira, setembro 24, 2004

Sequelas

Tornando, tal qual o bom filho, ao post do Midas sobre os dogmas, relativamente às sequelas sou bastante parecido com o que ele critica. Na minha (deve ser lida com maior ênfase) sincera mas modesta opinião, o problema das sequelas é um de gestão de expectativas.
Quando vemos um filme normal (neste contexto normal significa que não é sequela, estamos portanto num cenário onde só existem dois tipos de filmes: as sequelas e os normais) somos um tábua rasa, isto é, não temos grandes expectativas formadas, apenas aquelas incutidas pelos críticos e amigos. Com estes elementos estabelecemos as nossas expectativas e o filme retirado de uma população (por população devemos entender algo do género: um conjunto onde se encontram todos os filmes que ainda não foram feitos, algo semelhante ao local onde a cegonha apanha os bébés) que segue uma distribuição que não interessa agora debater qual é, tem uma probabilidade x de estar acima das nossas expectativas.
Quando vemos uma sequela, caso tenhamos gostado do primeiro, temos as nossas expectativas mais elevadas. Como o filme é retirado das mesma população que o anterior a probabilidade de exceder as nossas expectativas é y, em que y menor que x. Por esta simples razão estatística, apreciamos menos as sequelas quando gostámos do primeiro.
Toda esta aborrecida exposição é muito bem sumarizada pelo poeta (tenho muita pena, mas não sei o nome do autor, também não tem grande importância porque sempre dá um ar mais místico à coisa: “o poeta esse ente difuso que se encontra por toda a parte”) com a seguinte frase: “nunca tornes ao sitio onde já foste feliz”
Cerebral

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