Não eram meus os olhos que te olharam
nem este corpo exausto que despi
nem os lábios sedentos que pousaram
no mais secreto do que existe em ti
Não eram meus os dedos que tocaram
tua falsa beleza que não vi
mais que os vícios que um dia me geraram
e me perseguem desde que nasci
Não fui eu que te quis. E não sou eu
que hoje te embalo e gemo e canto e gero
possesso deste raiva que me deu
a grande solidão que te espero
E à sombra da mágoa é que te vejo
e à sombra do ódio é que te quero
A voz com que te chamo é o desencanto
E a seiva que te dou o desespero
Aqui vês tu em mim o desespero da secura
aqui provas o fel do mal que me fizeste
o ódio e o orgulho é tudo o que perdura
é tarde meu amor...morreste!

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