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quinta-feira, setembro 09, 2004

Carlos Paredes

Após ter visitado este blog aquí e ter comentado um post relativo aos best albuns ever, fui obrigado a mencionar, e como tal relembrar, Carlos Paredes. Um génio musical ao qual ainda hoje não se dá muita importância. Curioso foi o facto de no dia do seu falecimento discutir a sua vida/albuns/carreira sem que no entanto soubessemos da sua partida. Sem menosprezar todos os albuns e carreira deste mestre na arte de viver, julgo que um dos melhores albuns que se encontra actualmente no mercado português entitula-se de “Movimentos Perpétuos – Música para Carlos Paredes”. Um álbum com uma musicalidade impressionante. Sem dúvida um tributo fantástico e capaz de enaltecer esta personalidade. Sem dúvida que "Verdes Anos", a música composta para a banda sonora do filme de Paulo Rocha - Verdes Anos - em 1962, está fantásticamente reproduzida pelos Belle Chase Hotel.
Foi então que encontrei este pequeno texto (julgo que escrito pelos autores deste projecto) que gostava que o lessem.
Big Boss

"Movimentos Perpétuos
O motivo oficial: o lançamento do álbum-homenagem Movimentos Perpétuos – Música para Carlos Paredes. O motivo real: descobrir Paredes. E uma tremenda responsabilidade, para quem só em 2003 tem o prazer de descobrir o que é isso afinal de “O Mundo segundo Carlos Paredes”. É mais fácil para os mais novos manterem-se a par das novidades musicais, pelo simples facto de que as recebem com o olhar de quem vê tudo pela primeira vez e de quem nunca ouviu nada igual. A velha guarda sabe muito, viu os movimentos sucederem-se sistematicamente, o disco sound, o rock, o punk, o pop, a mistura entre os primeiros dois, e depois entre os que restam, inevitavelmente. Já não acredita que um dia veja a surgir uma sonoridade original. As comparações vêm de imediato ao ouvido. Carlos Paredes já não toca guitarra desde 1993. Faz este ano uma década que lhe foi diagnosticada uma mielopatia, doença do foro neurológico que lhe prende os movimentos. Dizem os escritos consultados que o guitarrista estava no auge da criatividade. Não é justo. Nem é justo que se deixe andar alguém mais um dia que seja sem descobrir esse mundo de que se fala. Um mundo construído dentro de uma guitarra – a portuguesa - e feito de humildade, modéstia, sempre a modéstia, amigos e simplicidade, da genuínia. Fora dela, da guitarra, as coisas são diferentes, mais complexas, mais vazias. Mas o efeito desse mundo à parte, dessa humanidade singular, faz-nos olhar de novo lá para dentro. Da guitarra. De Paredes. E quem só agora descobre Carlos Paredes tem apenas uma coisa a lamentar: não o ter feito mais cedo.Os privilegiados têm a obrigação, para consigo e com Carlos Paredes, de passar a mensagem a quem ainda não a recebeu. A julgar pelas palavras de todos os que tiveram/têm a honra de privar com o guitarrista, fica a ideia de que a única homenagem que aceitaria sem questionar (e ainda assim...) seria aquela que permitisse levar a sua música a novos públicos. É essa a intenção de Movimentos Perpétuos."

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