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sexta-feira, agosto 06, 2004

Desconhecidas

Todos meus amigos não compreendem a minha falta de proactividade com o sexo oposto. Depois de alguma reflexão interior brilhantemente concluí que a principal causa de tal inépcia deve-se às primeiras conversas. Aqui ficam pequenos extractos e por favor mostrem-me como é possivel suportar tais diálogos apenas por uma miragem se algum sexo?

A pseudo intelectual agustiada com a existência
A conversa começa a comentar uns filmes que ambos tenhamos visto e logo apanhamos com umas tiradas do género: “não é bela a personagem feminina, o modo como ela espelha toda a opressão desta sociedade que se diz evoluida”. Digam-me por favor o que um gajo responde? Será demasiado rude afirmar que é um monumental cliché? Também não merece a pena entrar numa discussão sobre o que quer dizer com: “que se diz evoluida”, resta-nos o velho e desenrascante “pois é, também tinha pensado nisso”.
Agora não é possivel voltar a trás, ela vai começar a discorrer sobre a ilusão da existência metendo umas colheradas na sociedade de consumo numa prosa típica de secundário, quando um gajo acha que é muito culto porque estuda filosofia e sociologia e tenta impressionar as miúdas com isso. Resta simular um aperto de bexiga e procurar a casa de banho mais próxima.

A beta
Confesso que neste campo a minha experiência é mais reduzida, mas mesmo assim sou capaz de dar uns toques. Vai falar imenso da noite, principalmente de discotecas e festas. Aqui tenho que ser mais cauteloso, emitir poucas opiniões e ir tentando metendo “bom... eu cá prefiro bares, é melhor para conversar”.
Se tentarmos cinema ou música, só conseguiremos comentários: “era muito divertido, giríssimo, adorei”, com tal profundidade não sei por onde pegar e enfim, vou inumerando filmes tentanto obter o máximo de “era muito divertido, giríssimo, adorei”, é um exercício engraçado, mas...

A normal
Aqui reside o maior problema, ambos sabemos que o outro não advoga os dois tipos anteriores, então a conversa emperra porque nenhum quer fazer figura de estúpido, nem que um cliché saia da sua boca. Mas conversar com um estranho exige um mínimo de clichés, quem vai então dar o braço a torcer?
Acabamos a descrever as nossas vidas, tema pouco interessante, sim porque contar muitas histórias interessantes sobre nós dá ar de cagão, além que tira necessariamente que ter muita ficção à mistura.

Esta classificação é aberta, espero mais contributos, a única limitação é não valer conversas interessantes e comentários “o problema é teu por seres tão céptico, não delas”
Cerebral

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