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sábado, julho 10, 2004

A arrumar o quarto encontrei um velho caderno e descobri....

" Se ao menos conseguisse reagir. Se ao menos me conseguisse convencer que tu não interessas. Que és mais uma à semelhança de tantas outras pessoas que entram na nossa vida e depois saem quase como entraram, calma e pacificamente. Mas tu não entraste assim. Entraste como um furacão, que mudou a minha vida. Abalaste-a. Fizeste-a tremer. E quando um furacão passa o que deixa para trás é destruição. Apenas as fundações trémulas e abandonadas restam enquanto tudo o resto desapareceu, caiu num instante. É necessário reconstruir tijolo a tijolo, refazendo o que o furacão destruiu como se de repente, anos acabassem em minutos e um vida de trabalho nos esperasse.
E talvez por isso não reajo, não quero abraçar a reconstrução, a morosa e díficil tarefa que me espera. Por isso sento-me ali, resignado por entre os destroços, contemplativo do furacão que me assolou. Mas no sofrimento sei, não me esquecendo do furacão que um dia por mim passou que a cidade voltar-se-á a erguer mais imponente e bela do que antes..."

"Queria conhecer-te. Mas não como uma pessoa conhece a outra. Não era o teu nome, o que fazias, onde moravas. Queria conhecer-te verdadeiramente. Como se vivesse dentro de ti. Queria conhecer o teu sangue, o teu cheiro, o que pensas, o que sentes, como se o teu olhar me mostrasse um mundo e não me guardasse segredos, não me deixasses indeciso sem saber o que pensar."

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