Aquele lugar vazio que tu deixaste à minha mesa
aquela queimadura que ficou na minha cama
aquele cadeirão a baloiçar-se de tristeza
esta chuva
este frio
esta lama
Aquela noite imensa em que chegaste tão tarde
aquela noite breve em que vieste tão cedo
e na lareira o fogo o fogo que não arde
porque é tarde
meu amor
tenho medo
Quanto, quanto tempo está fechado nesta casa?
Dias meses anos
ou talvez apenas horas?
Sou uma gaivota ferida numa asa
fechada neste espaço no qual ainda moras.
Aquele disco velho da canção ainda nova
aquele livro aberto na página mais triste
e o teu retrato antigo quando andas na escola
a saudade
meu amor
existe.
E o ruído do carro que eu esperava e conhecia
e os teus passos na escada e o degrau que rangia
e a chave que hesitava e a porta que se abria
e à noite
meu amor
acontecia
Quanta quanta coisa fica ainda por dizer?
Quanta quanta mágoa ficará por recordar?
Quem puder lembrar e a seguir esquecer
não soube nunca ser não soube nunca amar.
Aqui vês tu em mim o desespero da secura
aqui provas o fel do mal que me fizeste
o ódio e o orgulho que é tudo o que perdura
é tarde meu amor
morreste!
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