Todos nós temos referências, pessoas que admiramos, mesmo que não as conheçamos.Que por aquilo que escrevem, dizem ou fazem nos parecem especiais, que nos influenciam de uma maneira diferente de todas as outras.Pois bem, pessoalmente isso acontece quando leio o MEC (Miguel Esteves Cardoso).Assim sendo vou-me servir do que ele escreveu, qual biblia ou enciclopédia para sustentar ideias que tenho.Como se as palavras dele fossem, por autoridade, a evidente confirmação daquilo que eu em discussões ou conversas várias já defendi.Apresento por isso três tópicos diferentes mas que pessoalmente acho interessantes.
Amizade:Muitas vezes temos a ideia de obrigação perante os amigos.Quantas vezes ouvimos: "Se és meu amigo, tens que me contar isto" ou "Como és meu amigo, tinhas-me obrigação de dizer ou de fazer...".Ora, nunca concordei muito com isso acho que os amigos não são para as ocasiões, os amigos são...simplesmente, sem obrigações.Se olharmos para a biblia, capitulo 3, versiculo 10, diz-nos o profeta Miguel:"A ideia utilitária da amizade mete nojo.Se alguém falta ou não corresponde, se não cumpre as obrigações contratuais, é logo condenado como mau amigo e sumariamente proscrito.Está tudo doido.Os amigos têm de ser inúteis.Isto é, bastarem só por existir.A amizade é a única anarquia do mundo.Vive-se e mais nada.O resto da existência é um constrangimento constante."
Brincar:Adoro brincar, gozar com as pessoas.Faz parte de mim.Desde que tenho consciência de mim que sou assim.No entanto, muitas vezes as pessoas não percebem, levam a mal, pensam que estou a humilhá-las.Por mais que diga que não, que é praticamente um gesto de carinho e de amor, não percebem.Quem melhor que o MEC para explicar melhor do que eu alguma o faria: "Brincar é a melhor coisa do mundo.Mas a ideia do humor como arma parece-me ridicula e militar.Eu só consigo gozar verdadeiramente com as pessoas que amo.Gozar com os inimigos é uma facilidade.Para gozar bem, tem de haver um mínimo de solidariedade.É preciso gostar.Excluir alguém da brincadeira é muito pior do que brincar com ela."
Amor:O conceito mais dificil de definir do mundo.Existe quase um paralelo entre a dor e o amor.Em casos onde as coisas não dão certo, quem se magoa mais, quem tem mais sentimento de posse em relação à antiga amada, é um sinal inequivoco de que amou mais que outra pessoa que não o tenha feito, que não perseguiu os futuros namorados dela, que a deixou livre.Nunca concordei com isso.Nunca achei que isso fosse amor, era orgulho, ciúme, sentimento de derrota mas não amor.Ora, vejamos o que ele nos diz:"O amor é simples.Queremos que alguém seja feliz mesmo que isso implique a nossa tristeza.O amor é banal.Por isso é tão bonito.É ter o coração já previamente ocupado.Ter medo que alguma coisa de mal aconteça à pessoa amada.Sofrer mais por não poder aliviar o sofrimento da pessoa amada do que ela própria sofre."Achando que se calhar isto é demasiado lírico acho que encerra em si a verdadeiramente a definição do verdadeiro amor.A questão é:já o sentimos ou vamos sentir?
Desculpem a extensão deste texto, mas acho que valia a pena, não quero fazer a divinização do Miguel Esteves Cardoso, mas quando ele está de acordo comigo, parece ser alguém muitssímo inteligente, roçando mesmo um brilhantismo.
Il Fenomeno

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