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quinta-feira, fevereiro 26, 2004

histórias reais

Por mais surreal que pareça a história que se segue é totalmente verídica. Uma das muitas empregadas domésticas dos países de leste, mais concretamente do Azerbeijão, que apesar de licenciada em medicina trabalha no nosso estimado país e faz as delícias da classe média nativa. Farta de executar trabalho tão repetitivo como limpar a casa de banho, limpar a merda do cão que ainda não aprendeu a cagar no local adequado e nem vai aprender e mais outras tarefas dignificantes, decidiu fazer uns exames da ordem dos médicos aos quais foi aprovada com distinção ( a parte do distinção não sei, mas sempre dá um tom mais dramático). Posto isto só faltava ter uns documentos do seu país natal.
Aqui começam os problemas: o Azerbeijão não tem representação diplomática (leia-se embaixada ou uma merda do género) em Portugal. Então a nossa futura médica do Azerbeijão tem que fazer uma viagem final até Moscovo, onde o seu país tem embaixada. Pensei realmente é um esforço enorme, mas caramba até vale a pena visto que será médica neste magnífico jardim à beira mar plantado. Estava eu a imaginar uma derradeira viagem às origens, uma espécie de acerto de contas com o passado, olhar uma última vez para a sua terra e dizer “nunca mais!”. A nossa heroína, um exemplo para toda a comunidade emigrante, chega a Moscovo e dirige-se à embaixada portuguesa!!!!!! Sim, ela atravessou toda a Europa para ir de Portugal à embaixada portuguesa levantar uns documentos ultra secretos que certificavam que era médica no Azerbeijão e por isso não podiam ser enviados por outra pessoa.
Cerebral

terça-feira, fevereiro 24, 2004

Recordatórios II

“Comercial? Ainda tens isto sintonizado?”. Não lhe respondo, é por preguiça que não a mudo e por outro lado a música não me parece pior. Até tá a dar música italiana:

Se vuoi che amiamo adesso, se vuoi…
Pero non é lo stesso tra di noi…
C’e ancora su riflesso tra me e te
Mi dispiace ma non posso, Laura c’e…Laura c’e

Chegámos. “Acaba assim, é? É isso que tu queres, eu não te quero pressionar, só quero perceber.” Hesito, foda-se porque é que é tudo tão complicado! “Vamos fazê-lo pelos fãs. No hidden catch, no strings attached, just free love!” é tudo o que eu quero dizer...mas não consigo, olho para ela, procuro as melhores palavras e só me sai em sussurro: “Mi dispiace ma non posso: Laura c’e…Laura c’e…”
Il Fenomeno

Recordatórios

É ela…vai puto, tu consegues…olha-lhe nos olhos…sorri, foda-se, sorri, elas gostam de um sorriso, não demais…isso, mantêm a pose.”Vai lá caralho, tamos a ver que és só garganta”. Calma, dá-lhes o teu melhor sorrizinho paternalista, estes cabrões não conseguiam foder nem com a pichota forrada em euros…”Foda-se, é uma questão de classe e postura. Se tão com tanta pressa vão lá vocês.” Parece que os acalmei, no fundo somos todos iguais, com as mesmas inseguranças. Não gosto desta merda, demasiada pressão, demasiados olhos a observar, não fui feito para isto…Sou um snipper não um filho da puta de um bombista. Não fui feito para matar milhares mas alvos selectivos.
“Eh, vais-te embora…mas foi uma boa tentativa, ias conseguindo, pá”. Sorrio mais uma vez, já é o segundo ar paternalista que lhes dou hoje, : “Não precisam de chorar por mim, eu vou-me safando.” Sorrio e digo-lhe baixinho: “quem sabe um dia, sem ninguém saber nada…quem sabe…”
Il Fenomeno

segunda-feira, fevereiro 23, 2004

No trilho da discussão lançada por Big Boss no seu post sobre as diferenças de um sábio e um sabido, venho acrescentar um estudo cientifíco que vem confirmar a sua tese. Confesso que para minha grande infelicidade o estudo não é da minha autoria, encontrei-o perdido numa secretária.
O dito estudo baseia-se na solução de uma simples equação que prova de uma forma inequívoca que quanto menos conhecimento possuirmos mais ricos ficaremos. Espantem-se:

“Consider the following equalities:
•Time is money
•Knowledge is power

Now use the engineers´ well known equation:
Work= Power*Time

Substituting the two equalities we have:
Work= Knowledge*Money

Solving for money:
Money= Work/Knowledge

As you can see: as knowledge approaches zero money goes to infinity!”

Cerebral

quinta-feira, fevereiro 19, 2004

Por vezes sabe-se demais...

Começou como uma brincadeira. Telefonou para um conhecido e disse:
Eu sei de tudo.
Depois de um silêncio, o outro disse:
Como é que você soube?
Não interessa. Sei de tudo.
Me faz um favor. Não espalha.
Vou pensar.
Por amor de Deus.
Está bem. Mas olhe lá, hein?
Descobriu que tinha poder sobre as pessoas.
Sei de tudo.
Co-como?
Sei de tudo.
Tudo o quê?
Você sabe.
Mas é impossível. Como é que você descobriu?
A reação das pessoas variava. Algumas perguntavam em seguida:
Alguém mais sabe?
Outras se tornavam agressivas:
Está bem, você sabe. E daí?
Daí, nada. Só queria que você soubesse que eu sei.
Se você contar pra alguém, eu...
Depende de você.
De mim, como?
Se você andar na linha eu não conto.
Certo.
Uma vez, parecia ter encontrado um inocente.
Eu sei de tudo.
-Tudo o quê? Você sabe.
Não sei. O que é que você sabe?
Não se faça de inocente.
Mas eu realmente não sei.
Vem com essa.
Você não sabe de nada.
Ah, quer dizer que existe alguma coisa para saber, mas eu é que não sei o que é?
Não existe nada.
Olha que eu vou espalhar...
Pode espalhar que é mentira.
Como é que você sabe o que eu vou espalhar?
Qualquer coisa que você espalhar será mentira.
Está bem. Vou espalhar.
Mas dali a pouco veio um telefonema.
Escute, estive pensando melhor. Não espalha nada sobre aquilo.
Aquilo o quê?
-Você sabe.
Passou a ser temido e respeitado. Volta e meia alguém se aproximava dele e sussurava:
Você contou para alguém?
Ainda não.
Puxa. Obrigado.
Com o tempo, ganhou uma reputação. Era de confiança. Um dia foi procurado por um amigo com uma oferta de emprego. O salário era enorme.
Porque eu? - quis saber.
A posição é de muita responsabilidade - disse o amigo. - Recomendei você.
Porquê?
Pela sua discrição.
Subiu na vida. Dele se dizia que sabia tudo sobre todos mas nunca abria a boca pra falar de ninguém. Além de bem-informado, um gentleman. Até que recebeu um telefonema. Uma voz misteriosa que disse:
Sei de tudo.
Co-como?
Sei de tudo.
Tudo o quê?
Você sabe.
Resolveu desaparecer. Mudou-se de cidade. Os amigos estranharam o seu desaparecimento repentino. Investigaram. O que ele estaria tramando? Finalmente foi descoberto numa praia remota. Os vizinhos contam que numa noite vieram muitos carros e cercaram a casa. Várias pessoas entraram na casa. Ouviram-se gritos. Os vizinhos contam que a voz que mais se ouvia era a dele, gritando:
-Era brincadeira!Era brincadeira!
Foi descoberto de manhã, assassinado. O crime nunca foi desvendado. Mas as pessoas que o conheciam não têm dúvidas sobre o motivo.
Sabia demais.

Luis Fernando Veríssimo nas palavras de Big Boss

terça-feira, fevereiro 17, 2004

Excerto de uma entrevista de António Lobo Antunes

As cenas que o Apocalipse Redux não mostrou.
Excerto de uma entrevista de António Lobo Antunes à revista Visão (penúltima edição), onde, às tantas, se evoca a dita guerra do Ultramar, em Angola, em que o Ilustre Autor tomou parte. Não é em vão que este Senhor é justamente considerado o maior escritor português vivo.

"[...]
V: Ainda sonha com a guerra?

ALA: (...) Apesar de tudo, penso que guardávamos uma parte sã que nos permitia continuar a funcionar. Os que não conseguiam são aqueles que,agora, aparecem nas consultas. Ao mesmo tempo havia coisas extraordinárias. Quando o Benfica jogava, punhamos os altifalantes virados para a mata e, assim, não havia ataques.

V: Parava a guerra?

ALA: Parava a guerra. Até o MPLA era do Benfica. Era uma sensação
ainda mais estranha porque não faz sentido estarmos zangados com pessoas que são do mesmo clube que nós. O Benfica foi, de facto, o melhor protector da guerra. E nada disto acontecia com os jogos do Porto e do Sporting, coisa que aborrecia o capitão e alguns alferes mais bem nascidos. Eu até percebo que se dispare contra um sócio do Porto, mas agora contra um do Benfica?

V: Não vou pôr isso na entrevista...

ALA: Pode pôr. Pode pôr. Faz algum sentido dar um tiro num sócio do Benfica?
[...]"

Big Boss

segunda-feira, fevereiro 16, 2004

Zero 7

"Zero 7" em Lisboa a 4 de Abril de 2004. A não perder!
Mais informações aqui.
Big Boss

sábado, fevereiro 14, 2004

Futebol de Rua

Este texto aqui de Luis Fernando Veríssimo fez-me recordar os meus tempos de criança... um saudosismo saudável e aceitável.
Big Boss

sexta-feira, fevereiro 13, 2004

terça-feira, fevereiro 10, 2004

domingo, fevereiro 08, 2004

O que fiz…..
Já não interessa!
O que farei…..
Pouco interessará,
Se o que faço não me satisfaz!

Para onde vou…..
Não sei,
E nem sei se soube!
Apenas sei para onde não quero ir
E até agora nenhum (lugar) me satisfez!

O que disse…..
Já não me lembro!
O que direi…..
Decerto magoará
Se o que faço e o lugar onde faço
Não me satisfaz!

vaselinas

Magia d'um piropo

"Tens uns olhos que,.... que,..... que te comia a cona toda!"

sábado, fevereiro 07, 2004

Tesos (0)

Ora aqui está algo que surge impreterivelmente no final de cada post. Por momentos pensei que não passasse de um qualquer hieroglifo (sem qualquer sentido pejorativo sobre esse gatafunho egípcio) que fosse habitualmente utilizado nos Short Message Service. MAS NAO!!! Aquele é um "0" de "zero comments"!!! O mesmo que dizer: "Este post não tem comentários, por favor escreva um!!!". Caros visitors, estão perante um blog blogocrático (perdoem-me a repetição)! Expressem as vossas opiniões! A Revolução dos Cravos não serviu apenas para criar mais um dia de férias por ano! "Aparece e Estremece", é esta uma das quotes que nos move (autoria: Il Fenomeno), e a qual vos queria também fazer passar.
Big Boss

Du Bocage

Uma homenagem merecida...

Mais uma inovação neste blog...
Big Boss

quinta-feira, fevereiro 05, 2004

Bocage às quintas

"Seus meigos olhos, que a foder ensinam,
Té nos dedos dos pés tezões accendem;
As mammas, onde as Graças se reclinam,
Por mais alvas que os veus os veus offendem:
As doces partes, que os desejos minam,
Aos olhos poucas vezes se defendem;
E os Amores, de amor por ella ardendo,
As pissas pelas mãos lhe vão mettendo."

domingo, fevereiro 01, 2004

Cantinho Cultural

Cumprindo a sua função pedagógica foi criado uma nova rubrica que visa partilhar textos de outros escritores talentosos aos leitores do nosso blog.

O cantinho de hoje é um texto de Borges, esse grande escritor argentino, chamado Instantes. É o texto que vai um pouco de encontro sobre aquilo que eu escrevi terça 27 Janeiro sobre a lição que eu tirei da vida acerca da necessidade de aproveitar o momento, cada instante da vida....

"Se eu pudesse novamente viver a minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros. Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais, seria mais tolo do que tenho sido. Na verdade bem poucas coisas levaria a sério. Seria menos higiénico. Correria mais riscos, viajaria mais, contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios. Iria a lugares que nunca fui, tomaria mais sorvetes e menos lentilha, teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.
Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e profundamente cada minuto da sua vida; claro que tive momentos de alegria. Mas se eu pudesse voltar a viver trataria somente de ter bons momentos. Porque se não sabem, disso é feito a vida, só de momentos; não percam o agora.
Eu era daqueles que nunca ia a parte alguma sem um termómetro, uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um pára-quedas e, se voltasse a viver, viajaria mais leve.
Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no começo da primavera e continuaria assim até ao fim do outono. Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças, se tivesse outra vez uma vida pela frente. Mas, já viram, tenho 85 anos e estou morrendo."